Sou fã de filmes de comédia, por mais idiota que ele seja. Dar chance às gargalhadas é uma forma de experimentar o corpo, de me permitir ser ridículo e compartilhar com os outros o gosto da felicidade. Para uma comédia, prefiro estar acompanhado de R. porque ela sabe rir até do que nem tem graça. Acho suas risadas as mais honestas que conheço, e mesmo que o filme seja ruim vale a pena com ela do lado. Também conheço quem não acha graça em certos comediantes, de Renato Aragão a Steve Carrel. O humor é uma das coisas mais difíceis de se fazer, e há nele uma variação enorme de sarcasmo, tons e escrachos. Quanto ao humor americano, há um jeito muito comercial. Acho o humor britânico mais ácido em sua frieza, o italiano exagerado em seu tom pastelão… mas me rendo aos enlatados dos USA na maioria das vezes. O padrão de comédias americanas no cinema é facilmente reconhecido, especialmente quando certas personalidades marcam presença como Robin Williams, Jim Carrey e Ben Stiller. Adam Slander também merece lugar de destaque, pois muitas das comédias que vi eram suas, ou com roteiro compartilhado, principalmente com Rob Schneider – outra “figura”. E marquei, então, de ver Click com R. No meio da tarde do dia 6 de setembro, véspera de feriado no Brasil, compareci à sala 4 do Multiplex Iguatemi para ver o lançamento aguardado, desde junho, quando assisti ao seu trailer. A sala estava cheia e, apesar da cópia legendada, muitas crianças na plateia. Naquela época eu ainda era estudante e pagava meia-entrada, e o ingresso custou apenas R$5,00. Bons tempos… Não precisa comentar que foram gargalhadas ao extremo com as trapalhadas feitas por Slander na pele de um homem que adquire um controle remoto capaz de interferir na “realidade”: no tempo, no volume da voz das pessoas, enfim, em tudo que possa nos incomodar em algum momento. Claro, eu pararia o tempo de alguns filmes e ficaria preso em suas paisagens e cenas belíssimas. Apesar da diversão, não escolheria este filme.
O filme
Em “Click” Adam Slander interpreta Michael Newman, um arquiteto casado com Donna Newman (Kate Beckinsale), com quem tem dois filhos. Ao chegar em casa, após mais um dia de trabalho, tenta ligar a televisão mas aciona o controle errado, o que faz ligar outros aparelhos da casa. Aconselhado a comprar um controle universal igual aos do vizinho – daquele que reúne as funções de todos os aparelhos da casa, aumentando ainda mais a preguiça do homem contemporâneo… – ele descobre Morty (Christopher Walken), um inventor que o apresenta um controle novo que ainda não chegou às lojas, fabricado com altíssima tecnologia. Detalhe, de graça… Michael usa o equipamento, claro, sem bom senso, o que o faz esquecer de problemas, realizar muitas conquistas e viver como em piloto automático, causando danos irreversíveis à sua vida e enfrentando situações de arrependimento, revolta e amargura. Antes que a vida acabe, ele busca ajuda de Morty. Click tem direção de Frank Coraci, com roteiro de Steve Koren e Mark O’Keefe, foi produzido nos Estados Unidos e lançado em 26 de junho de 2006.



